• Bambuí, 19 de Setembro de 2019

Por que um projeto para melhorar qualidade provocou falta de soros antiveneno no país

Foto: Divulgação

Faltam soros contra picadas de cobra, de escorpiões e contra a exposição ao vírus da raiva em cidades espalhadas por todo o estado de Minas Gerais. A situação, que já parece séria, tende a se estender pelo menos até o fim do ano. Pior: já se arrasta há cerca de quatro anos. Ainda mais grave: ocorre em decorrência de uma medida que deveria melhorar a qualidade de produção das substâncias para atender à população brasileira.

O problema se arrasta desde 2015, quando o país começou a sofrer com a escassez de soros antibotrópicos (usado em acidentes com cobras), antiescorpiônicos e antirrábicos. A situação é ainda mais grave na Região Norte de Minas, onde municípios se organizaram para acionar a Comissão Intergestora Bipartite (CIB), pedindo que apele ao Ministério da Saúde para que os estoques sejam regularizados.

A dificuldade começou quando os institutos Butantan (São Paulo) e Vital Brazil (Niterói-RJ), dois do quatro produtores de imunizantes espalhados pelo Brasil, entraram em reforma para se adequar a um conjunto de medidas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), conhecido como Boas Práticas de Fabricação. Após a finalização das obras na estrutura localizada em São Paulo, foi a vez de outros dois centros passarem pelas adaptações: a Fundação Ezequiel Dias (Funed), situada no Bairro Gameleira, na Região Oeste de Belo Horizonte, e o Centro de Produção e Pesquisa de Imunobiológicos (CPPI), no Paraná. Ou seja, desde o fim de 2014, Minas Gerais e os outros 26 estados da federação não recebem regularmente os soros.

No caso da Funed, a unidade está em obras desde 2017. Segundo a administração, a fundação já passou por reestruturações físicas no prédio do Bloco 2 e por qualificações de áreas, equipamentos e sistemas relacionados à produção de soros. Contudo, a modernização do sistema de pré-tratamento, geração, armazenamento e distribuição de água no padrão injetável ainda não está finalizado. A previsão é que as intervenções sejam concluídas ainda este ano. “Todas as reestruturações ocorridas na planta da Funed foram feitas com recursos próprios. A exceção foi o sistema de tratamento de água, custeado pelo Ministério da Saúde”, disse o presidente da fundação estadual, Maurício Abreu Santos.


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